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DELICIA DE RECEITA
 
 
Há pouco mais de dois anos, na cidade de Pelotas nascia a Associação Atlética Bonsucesso. Fundada no dia 21 de setembro de 2004, sem fins lucrativos, trata-se de uma entidade que busca incentivar a paixão do povo brasileiro: o futebol. A idéia é de revelar jogadores, e após um período de observações em diferentes locais da Princesa do Sul, foi feito um cadastro com crianças carentes. Conseguindo local para realização de treinamentos, os diretores passaram a manter contatos com os meninos que constavam no cadastro. No começo, eram menos de 20 atletas, enquanto que no momento, são cerca de 250. Inicialmente, ocorreu uma certa demora com todos os trâmites legais, e atualmente com apoio do governo federal, a Associação conta com crianças e jovens de 7 a 18 anos, nas categorias mirim, infantil, infanto e juvenil. Hoje, é cadastrada inclusive em órgãos como o CONDICA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente) e Conselho Regional de Educação Física. O idealizador deste projeto, chama-se Amadeu Oliveira. Com 45 anos, é o diretor presidente, contanto com o apoio de Humberto Freitas, diretor de esporte, que tem 26. São somente treinamentos e sem custo para os atletas. Recentemente, foi feita uma parceria com o Santa Tecla, do município do Capão do Leão. Por esta razão, os treinamentos são realizados na cidade vizinha de Pelotas. Mas, sobre este projeto que começa a ganhar destaque no estado gaúcho, a redação do Futebol na Rede conversou com o diretor presidente do Bonsucesso:
1- Futebol na Rede: Como surgiu essa idéia de criar uma Associação? Fale um pouco da história do Bonsucesso.

Amadeu: O nome Bonsucesso é pela ligação com o bairro do Rio de Janeiro, chamado da mesma maneira. A idéia surgiu em 1983, porque meu ‘menino’ jogava bola. Veio se aprimorando esta idéia há mais de 20 anos. E, nos últimos dez anos pensei em como fazer uma Associação sem ter verbas de patrocinador, sem verbas para trabalhar num nível de meninos carentes. Desde o início o foco sempre foi futebol. Surgiu desta maneira. Criar uma associação enxuta que tivesse uma credibilidade para que os investidores tivessem retorno. Hoje em dia tem que ser feito sempre com seriedade. Demorou dois anos para começar mesmo, devido aos trâmites legais. Conseguimos nos cadastrar no CONDICA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente), e assim estamos aptos a enviarmos projetos para o governo federal e assim, poderemos receber verbas deste governo como incentivo para tocar o nosso projeto.

2- FNR: Por que esta demora a começar oficialmente?

A: Devido a estes trâmites de dois anos, para conseguir este incentivo. Outro ponto que pegou, foi à parte do campo, porque em Pelotas é complicado isso. Tínhamos um terreno, mas não tínhamos como trabalhar. E, precisávamos de local fechado, não queríamos colocar os garotos para treinarem em locais abertos. Deu a sorte de conversarmos com algumas pessoas em Capão do Leão, com o Santa Tecla, e conseguimos um acordo de cinco anos. Isto faz dois meses. Antes disso, tudo era patrocinado por nós (eu e o Humberto). Isto acontece até hoje, às vezes, colocamos do bolso. Mas, agora ficou mais fácil com patrocinadores que estão chegando aos poucos.

3- FNR: Antes da parceria com o Santa Tecla, tudo ainda era um começo. E, após, como foi para este crescimento até mesmo no número de atletas?

A: Bem, nós fazíamos treinamentos no antigo Bancário, e hoje CT Rubro-Negro. Infelizmente, não deu certo, por diferenças de idéias normais do futebol, com pessoas deste Centro de Treinamentos. O nosso objetivo até conseguirmos o nosso campo, era observarmos meninos em campos de várzea, em campos amadores. Para quando conseguíssemos, através de um cadastro que fazíamos nas observações, já teríamos alguns atletas. O nosso trabalho era chegar na Vila, ver o menino que jogava e ficar com os dados deles. Quando conseguimos o campo, entramos em contato com eles. Em 2004, começou com menos de 20 jogadores. Hoje temos 250 meninos. Mesmo aqueles que nós não tínhamos no cadastro, começaram a chegar porque uma criança espalhava para outra. Se deve também a credibilidade do trabalho que está sendo feito. A responsabilidade dentro do campo é nossa, fora dali é dos pais, que apóiam o projeto. O detalhe é que o estudo é obrigação para o menino fazer parte deste projeto. Antes de atleta, ele tem que ser cidadão.

4- FNR: Mas, por que haveria interesse dos jovens em participar somente de treinamentos, num primeiro momento?

A: Pois é, nós seguimos em formação e este ano promete. Pretendemos fazer amistosos, para depois participarmos de campeonatos. Só em estar em contato com outros meninos treinando já satisfaz as crianças. Porque é diferente mesmo de um jogo qualquer. Sabendo também que o projeto dá toda a condição para os atletas. Sem custo, disponibiliza material para os trabalhos nos campos. A nossa intenção é participar de campeonatos, quem sabe o estadual juvenil neste ano ainda. Tem alguns torneios importantes como a Copa Rio de Janeiro, e o Torneio Internacional Valinhos, em São Paulo.

5- FNR: Qual o grande objetivo deste projeto?

A: Revelar jogador e dar oportunidade àquele que não tem. Até porque, não cobramos nada de ninguém. E, isto graças aos patrocinadores que incentivam a Associação.


6- FNR: Quando surgirem mesmo estas promessas, o dinheiro vai para onde?

A: Este valor é estipulado pela Fifa, o menino vai para qualquer clube, ele tem um percentual numa venda. Só na hora do negócio que dá para ver. Se ele está num time grande, e for negociado, a Associação participará dos lucros por este menino ter sido formado na base.

7- FNR: Existe algum clube parceiro da Associação?

A: Temos uma parceria com o Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul. Isto faz menos de um ano, e, é possível alguns atletas irem para lá. Por enquanto muitos contatos estão sendo feitos, inclusive temos alguns meninos prontos já, mas estão aguardando oportunidade.

Os treinamentos acontecem em Capão do Leão, no campo do Santa Tecla, de segunda a sexta-feira. A sede da Associação fica no próprio vizinho município de Pelotas. O técnico dos meninos chama-se Clóvis Lemos, que já trabalhou no Grêmio Bagé, e tem experiência no futebol. Humberto Freitas e Amadeu Oliveira, estudam a criação da 1a empresa constituída de Assessoria e Marketing Esportivo da região sul do estado. Isto, poderá ajudar no acompanhamento de atletas formados pelo Bonsucesso. Por outro lado, eles receberam com alegria, o interesse de um agente FIFA, querer observar o funcionamento da Associação. Já que, isto proporcionará até mesmo, a mudança de jovens para o exterior.

Paralelamente a Associação Bonsucesso, Oliveira e Freitas atuam como olheiros no futebol profissional. Inclusive, já encaminharam alguns jogadores para equipes tradicionais. São os casos de: o atacante Gileno, que está no 15 de Novembro de Campo Bom, o zagueiro Silva, ex-Três Passos, que atua pelo Itabuna da Bahia e do meia Jair, que joga pelo Juniores do Inter. Freitas, trata também do goleiro Ezequiel, ex-Brasil de Pelotas, e do meia Marcos Basílio, que atua pelo xavante pelotense.

O patrocinador/investidor que tiver interesse de apoiar este projeto, pode entrar em contato pelo e-mail diretoria@aabonsucesso.com.br, ou pelos telefones (53) 8405-0952 com Humberto ou (53) 9102-6088 com Amadeu. Em breve, estará no ar o site do Bonsucesso. O endereço é: www.aabonsucesso.com.br
Texto: Felipe Machado, especial para o FNR
Fotos: Divulgação
 

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